O Centro de Pesquisa Mokiti Okada – CPMO desenvolve um projeto no Centro de Educação Especial Girassol (CEDEG), da APAE (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais) de Campo Grande-MS, desde setembro de 2009. Intitulado “Implantação do método de Agricultura Natural de Mokiti Okada na horta do CEDEG/APAES/MS, substituindo gradativamente os canteiros que utilizam estercos de animais pelo Sistema CPMO de Manejo de Solo e Planta”, o projeto visa a assessoria e consultoria técnica de horta escolar, bem como a capacitação de professores daquele centro educacional para o cultivo de forma sustentável de alimentos mais saudáveis.
A implantação e manutenção da horta são realizadas pelo setor de Consultoria Técnica do CPMO (SCT-CPMO) que também faz as capacitações dos professores. O coordenador de Consultoria Técnica do CPMO, doutor em Fitopatologia, Paulo Roberto Ribeiro Chagas, supervisiona as atividades e regularmente o assistente técnico do CPMO, Emerson Pereira Coghi, faz a assessoria técnica, acompanhamento do manejo do solo, das culturas e aulas práticas para professores e alunos.
Iniciativa da Federação Estadual das APAES de Mato Grosso do Sul, pela sua Coordenadoria Estadual da Educação Profissional, este trabalho tem apresentado excelentes resultados. A implementação da Agricultura Natural tem proporcionado uma alimentação mais saudável aos alunos, otimizando a produção com um mínimo de recursos externos. “Ao mesmo tempo, ela serve como uma rica ferramenta para exercício de reintegração e terapia social”, informa a coordenadora do projeto, Maria Aparecida Lemes Reis. Ela atualmente é coordenadora estadual de Educação Profissional das APAES do Mato Grosso do Sul, com mais de 20 anos de experiência em educação profissional da pessoa deficiente no mercado de trabalho. Segundo a coordenadora, os alunos têm apresentado grandes mudanças. “Após a implantação do projeto do CPMO, há mais participação e motivação dos alunos nas atividades da horta. Eles estão mais calmos e felizes, refletindo em seus familiares”, disse ela.
Para a coordenadora pedagógica do CEDEG/APAE, especialista em educação profissional da pessoa com deficiência intelectual há quase 30 anos, Sandra Rosani Martins Alcântara, o trabalho desenvolvido pelo Centro de Pesquisa Mokiti Okada também é pedagógico, “os alunos aprendem matemática pela venda dos produtos da horta a preços simbólicos para pais e funcionários. Permite ainda explorar o outro olhar da educação: o olhar para a Natureza, visto que os alunos acompanham os processos naturais durante o desenvolvimento das culturas. A pessoa com deficiência intelectual dispõe de muita sensibilidade e isso faz a diferença no momento em que lida com as plantas”, avalia Sandra.

Para a coordenadora pedagógica do CEDEG/APAE, especialista em educação profissional da pessoa com deficiência intelectual há quase 30 anos, Sandra Rosani Martins Alcântara, o trabalho desenvolvido pelo CPMO também é pedagógico, “os alunos aprendem matemática pela venda dos produtos da horta a preços simbólicos para pais e funcionários”. Permite ainda explorar o outro olhar da educação: o olhar para a Natureza, visto que os alunos acompanham os processos naturais durante o desenvolvimento das culturas. “A pessoa com deficiência intelectual dispõe de muita sensibilidade e isso faz a diferença no momento em que lida com as plantas, avalia ela
As atividades na horta são feitas por professores capacitados pelo CPMO em duas turmas de manhã e à tarde com oito grupos de dez alunos, totalizando 80 pessoas. De acordo com Reis, o primeiro curso de capacitação em março teve a participação de 60 pessoas, abrangendo também integrantes das APAES de Três Lagoas, Ivinhema, Navirai, Aparecida do Taboado e Cassilândia.
Conforme explica a coordenadora pedagógica do CEDEG/APAE, a constatação do avanço da aprendizagem dos alunos é medida pelas avaliações de aplicação teóricas e práticas dos princípios da Agricultura Natural de Mokiti Okada, dinâmicas de grupos, vivências de situações cotidianas em situação real no campo. De acordo com Sandra, “O CPMO tem aberto as portas para a inserção social da pessoa com deficiência intelectual, pois realiza um trabalho pioneiro nesta área”.
O projeto está previsto para terminar no final de agosto, mas há grande possibilidade de renovação. Segundo as coordenadoras da APAE ainda existem muitas etapas a serem cumpridas, entre elas a capacitação de professores para as demais APAES do interior de Mato Grosso do Sul, em torno de 60 unidades, expansão da área cultivada pela horta, hortas caseiras junto com as famílias dos alunos e apresentação dos benefícios do projeto no Congresso Nacional das APAES, em Belém, PA, em dezembro de 2011.
Para aprimorar os conhecimentos nas práticas da Agricultura Natural de Mokiti Okada, as coordenadoras da APAE, juntamente com os professores do CEDEG/APAE de Campo Grande, Lilian Miranda de Figueiredo Franco Sobrinho e Valdeir Henrique Teles, estiveram no CPMO, em Ipeúna, de 12 a 14 de julho. Chagas recebeu os visitantes que informaram os andamentos mais recentes do projeto. Logo em seguida, a engenheira agrônoma do setor de Melhoramento Vegetal do CPMO, Narimã Freitas, realizou atividades com o grupo referentes ao Programa de Melhoramento Vegetal para as culturas de tomate, pepino, milho verde e milho grãos em estufas e campo experimental.
Nos dias seguintes, os engenheiros agrônomos do CPMO, Antonio Carlos M. Parra Filho e Narimã Freitas mostraram aos visitantes as aplicações do Sistema CPMO de Manejo de Solo e Planta em campo experimental de pomar e o cultivo sombreado com café e explicaram as atividades de seus setores.

Ao término da visita, o coordenador geral do Centro de Pesquisa Mokiti Okada, Fernando Augusto de Souza, se reuniu com os integrantes da APAE de Campo Grande que mostraram a evolução da consultoria e assistência técnica do CPMO na horta cultivada pelo método da Agricultura Natural daquela instituição.